quinta-feira, 19 de maio de 2016

Quero Entender



A vida é cheia de surpresas. Boas ou ruins, elas acontecem. Ontem recebi um email de Rita, minha amiga e companheira de escrita, com o texto de um tio seu. Ao ler os oito parágrafos eu viajei em infinitas possibilidades, alternativas e compreensões.

INSPIRADORA, essa é essa a palavra certa pra descrever esta obra. Estou fugindo dos "padrões", assim como o último conto publicado. Quero Entender não é de minha autoria. É uma honra publicar algo do gênero aqui. Decidi dividir com vocês. Espero que gostem, assim como eu gostei.  


O mundo passa e com ele eu também. No meu passar vejo o mundo passando, mas não quero eu ficar apenas contemplando. Quero eu ser protagonista de algo nesse passar do mundo, mas não consigo compreender, talvez por que ainda não me compreendi.

O que sou? Um homem voraz impiedoso como eram os caçadores do paleolítico? Ou um homem domesticado preocu
pado com a plantação, criação de animais lactantes e com a criação de meus herdeiros? Sei que me transformei do homem paleolítico para um novo modelo do neolítico. E também sei que isto é essencial para o que sou hoje, afinal todos nós precisamos de uma morada, todos nós precisamos de um porto aonde ancorar nossas certezas, nossas felicidades, nossa arte.

Mas sei também, que guardo em mim, lá no fundo das minhas incompreensões, aquele homem voraz e impiedoso, que vez e outra sempre mostra os seus dentes afiados na face, face até das pessoas que amo.

O que o mundo é? Uma floresta habitada por animais nômades? Uma aldeia que não se firma por muito tempo? Ou uma cidade que resiste aos intemperes naturais e sociais?

O que eu sou? Um homem que busca domesticar seu eu escondido? Ou um que aprende a ser outro por saber o que é mais importante para o seu eu, que já não se basta apenas em sim e precisa transbordar para os demais?

Sei sim, que o mundo que passa tem muito do homem em mim do que posso compreender. Sei sim, que para compreender o mundo preciso compreender primeiro a mim mesmo e nesta compreensão procuro expandir para além de mim. Procurar transformar uma reflexão pessoal em uma reflexão social.

Mais algo vem tomando o meu ser. Minha incompletude me afirma que a razão que me faz pensar e ter certeza, não é suficiente para minhas certezas. Sinto que falta algo, sinto que a razão não é suficiente, parece que ela não está completa, falta algo...

É como a certeza de que a cidade dos mortos veio primeiro que a cidade dos vivos, pois é pensando em guardo nossos entes queridos que passamos a fixar nossas moradas. É na certeza de está-se em um lugar seguro, lugar para vivenciar o amor, a guarda, a alimentação, para dançar, cantar, pintar, modificar a beleza da natureza de acordo com a minha incompletude a fim de entender a si, e assim entender um pouco do mundo. É isso que impulsiona a procurar minhas raízes. É isso que me movimenta a querer entender...


* Marcos André Souza Frazão.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Conto: SAZÕES DE ROMEO

INTROSPEÇÃO

Colados. Selados. Lacrados. Os olhos fechados revelam o abandono das cores do mundo real e a imersão nas fantasias da imaginação. Romeo é jovem. Um peregrino de suas próprias indagações. De tempos em tempos viaja em busca de conhecer o Eu. 
– É chegada a hora de renascer, purificar a mente – dizia Romeo, sem descolar os lábios, sem expressar reações.


DESERÇÃO 

Eram três anos não olhando para trás. A angústia amargava como fel em sua boca. Estava cego, mergulhado em decepções. 
Como um cavalo livre pôs-se a galopar. Era uma decisão sua. Viajar o tempo, reconhecer a vida, em todas as suas sazões. A rapidez poderia ser entendida como fuga. Talvez, quem sabe, um não enfrentamento dos problemas condenados a ele. 
A terra onde vivia era amaldiçoada, recomeços não caberiam ali. Jamais. A intrínseca chance seria a extinção daquele lugar falido, daqueles habitantes desprovidos de coragem. 
Se não foi a escolha correta, nem lamentos lhe acontece. Queria mesmo esquecer, refazer seu contexto e mudar de corpo. Ideia e realidade. 


RATIFICAÇÃO 

Não sabia muito de si para continuar seus planos. Sabia assim, seu nome, sua cor. Precisava de mais, não sabia sua idade. Se conhecer estava além das conquistas corriqueiras da vida. Para o jovem rapaz, era oxigênio. Vida.
Nunca soube o que seria contentamento, apenas que descobriria todos os segredos do mundo, se soubesse primeiro os próprios.
Quem de fato seriam os progenitores?
Perguntas se aglomeravam, e Romeo, se esse era o nome, só conseguia lembrar uma senhora que sempre o cumprimentava com um ramo seco entre os dedos. 


EXPECTAÇÃO

Precisava encontrá-la. Urgentemente ver as portas, procurar lembranças.
O caminho foi tortuoso, mas ali estava. A referência seria uma árvore seca de vários anos, alguns passos à esquerda. Viu-se, então, a casinha simples e misteriosa. Seria seu destino estar preso ao desconhecido?
Seus passos falharam e a senhora sentada o observava. Estender a mão?
Antes disso, seus pés esbarraram em um tronco ao chão e rapidamente levantando-se houve o choque. Um lugar destruído pelo tempo, em destroços de uma casinha. Uma data riscada com ramos secos, grudados em tábuas velhas, o resto, sendo o fim. Romeo, diferente de todos. Sempre foi. Jovem, mas velho nos pensamentos da senhora. Alucinações de um amor proibido.


Mateus Weiller e Ana Rita Serafim

segunda-feira, 25 de abril de 2016

SOLIDARIEDADE (Corrente Solidária + Entrevista com Taynara Souza)

Não existe um termo específico que caracterize a palavra SOLIDARIEDADE. Bondade, cuidado, caráter, índole, amor, compromisso, companheirismo, ajuda, irmandade, caridade... Todas estas palavras podem ser corretamente usadas. É fácil discorrer inúmeros parágrafos com sinônimos para algo mais que necessário na sociedade de hoje. Mas, infelizmente, o fato de ser essencial não o transforma em realidade, pelo menos não em grande maioria.

A disparidade das condições de vida que as pessoas levam ainda é gritante. Uma grande parte com pouco, outra com excessos. Uma sociedade deficiente, que prefere não enxergar a vulnerabilidade de muitos. “Fome” parece ser assunto do início dos anos 2000, mas é tão comum quanto naquela época. E não precisamos ir tão longe, como na África, por exemplo. Você já parou pra pensar que talvez, quem sabe, o seu vizinho pode estar passando por maus bocados? E aquele parente que mora em outro bairro, tem notícias dele?
 - Mas Weiller, eu sempre dou moedas para moradores de rua, principalmente aqueles que ficam nas portas das lojas, como aquele senhor que sempre está em frente o Paraíba Magazine.

Certo, mas só tenho uma pergunta para lhe fazer: você já parou pra desejar pelo menos um bom dia? Uma palavra de ânimo, um simples olhar...? O alimento sustenta o corpo físico, mas e a alma, o coração...?

Taynara Souza, uma jovem de 20 anos, sentindo a necessidade de fazer algo pelas pessoas carentes e vulneráveis em Marabá, transformou seu desejo em algo maior, algo que começou a envolver mais pessoas no intuito de ajudar o próximo. Foi então que com amigos e conhecidos a marabaense fundou o grupo Corrente Solidária. Como ela mesma diz, o objetivo é ajudar sem firmar compromisso com religião, políticos, empresas ou troca de divulgação.

Com uma organização impecável, todas as famílias ajudadas são cadastradas para que se possa ter um controle, assim como nos programas do governo. As reuniões para discutir os dias das ações geralmente são feitas uma vez por semana. A cada dia que se passa o número de pessoas interessadas em ajudar cresce. Não só uma forma de contribuir com a sociedade marabaense, o Corrente Solidária é uma forma de transformar pessoas normais em cidadãos solidários.
 - Me diga, Weiller, com conheceu todo esse projeto?

Jhulia Braina, uma amiga que conheço desde quando me entendo por gente nesse mundo, me enviou uma mensagem perguntando se eu teria roupas para doar. Curioso, questionei sobre o que se tratava e, a partir daí, iniciamos uma longa conversa. Ela me apresentou o Corrente Solidária. Não só pelo fato de estar concluindo serviço social, mas me senti na necessidade de fazer parte e somar com todas as outras pessoas do grupo. A página oficial no Facebook é o veículo que informa a sociedade das ações e de como ajudar indiretamente. 




Parte do grupo em uma ação


Ação de Páscoa


A seguir, uma entrevista com Taynara. Ela, melhor que ninguém, pode explicar melhor sobre o grupo.

Psicologicamente: Como e quando surgiu o grupo?

Taynara Souza: O Corrente Solidária surgiu oficialmente no dia 29/02/2016 quando conheci duas pessoas no qual me fizeram criar o grupo. Pois até então eu realizava as ações sozinha, de maneira individual.

Psicologicamente: Qual motivo levou você a tomar a iniciativa?

Taynara Souza: O que me levou a tomar essa atitude foi ver tantas pessoas vivendo situações difíceis, sendo que eu sabia que tinha como ajudar de alguma forma. Inicialmente comecei fazendo ações pequenas com o grupo de jovens da igreja católica do Novo Horizonte, o Segue-me. Fizemos ações no Lar São Vicente de Paulo, sopão solidário... Porém, eu queria mais,queria ajudar mais e comecei a realizar ações.

Psicologicamente: Há quanto tempo vocês estão juntos nesse trabalho?

Taynara Souza: Temos pouco tempo juntos no Corrente Solidária,  mas já fizemos grandes ações na cidade em prol de nossas famílias carentes.Já beneficiamos mais de 700 pessoas nesses dois meses de atuação.

Psicologicamente: Quantas pessoas estão envolvidas?

Taynara Souza: O grupo hoje tem cerca de 90 integrantes, mas nem todos estão ativos diretamente. Podemos então dizer que temos cerca de 50 amigos solidários ativos.

Psicologicamente: Quais os tipos de atividades que o grupo tem exercido?

Taynara Souza: O grupo hoje vem atuando ativamente na cidade de Marabá, através do cadastro de famílias carentes o qual já temos mais de 100 famílias cadastradas, realizando caldos solidários, distribuição de cestas básicas, e buscando sempre dar o apoio que as famílias precisam, e de modo individual também.

Psicologicamente: De forma pessoal, como todo esse trabalho influencia sua vida?

Taynara Souza: Olha, a recompensa desse trabalho vêm em forma mais de sorrisos, olharese até mesmo lágrimas. É um enriquecimento da alma. Passei a valorizar mais o que eu tenho. É como diz a frase do grupo: “É na solidariedade que aprendemos grandes lições”. E eu posso dizer com plena certeza que a casa gesto simples eu aprendoe enriqueço mais a alma e cresço como pessoa também.


Que ajudar? Entre em contato comigo ou com Taynara pela página no Facebook. Seja solidário.  Afinal, com a solidariedade aprendemos grandes lições.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O garoto das medalhas

Desde o ensino fundamental somos bombardeados com informações sobre o vestibular, ingressar na universidade e conquistar uma profissão. Muitas pessoas, desde crianças, já defendem algum tipo de atividade:
- Mãe, quero ser veterinária.
- Pai, quando eu crescer serei astronauta.

Não diferente desse processo, isso também aconteceu comigo. Como a maioria das pessoas, meu sonho era de ser médico. Mais precisamente pediatra.

Quando professores perguntavam na minha sala:
- Weiller, o que quer ser no futuro?
Eu respondia:
- Médico, professora.
Mas isso causava estranheza e muitos me desencorajavam afirmando que pra ser um médico eu teria que pagar um preço alto. Estudar muito, me dedicar além do que eu pudesse. E eu, inocente (coitado), nem ligava. Achava que era o rei da cocada preta.

Sempre estudei em escolas públicas. Da 1ª a 5ª estudei no Mº Ilan Rodrigues Jadão, que ficava próximo a minha casa. Na 5º série me escolheram para ser o presidente de sala (uma curiosidade: fui presidente de sala da 5º série ao 3º ano do ensino médio). No ano seguinte, o governo municipal fez algumas mudanças e fui obrigado a trocar de escola, indo para o José Cursino de Azevedo. Foi a melhor fase da minha vida, pelo menos no quesito escolar. Lá terminei o ensino fundamental e eles premiavam os alunos que se destacavam com medalhas e troféus para incentivar e reconhecer os melhores do ano. Até hoje guardo no meu guarda-roupa as minhas conquistas, todo ano ganhava. Está bem, Weiller... Não leio os teus textos para saber de sua vida. Calma, caro leitor... 

Todo esse processo que vivi nesses três anos me deu um gás (pseudo-gás) e fez com que acreditasse que eu realmente seria médico. Afinal, alguém que ganha medalhas na escola por ser um bom aluno entraria fácil numa universidade, não é mesmo? (era tão inocente. Devia ser a idade. Coitado). Só que as coisas não funcionam bem assim. A teoria está há 10 anos luz da prática.

Mas esqueci de algo principal, algo que mais jovem não teria como responder: eu realmente queria ser médico, seguir essa profissão e seria realizado profissionalmente? Hoje eu sei que a reposta é NÃO. Mas como lidar com essa situação toda? É bem difícil, algo até inevitável. São fases da vida que temos que viver para amadurecer.

No ensino médio me apaixonei por sociologia. Tinha uma professora maravilhosa. Hildonete, o nome dela. Muito inteligente, gostava de dialogar. Com isso, me interessei pelo curso de Direito. Depois de ler algumas coisas, meu desejo era de ser um promotor de justiça. Essa profissão me enchia os olhos. Tentei o vestibular, nada. Tentei bolsa em faculdade particular, nada também. Foi aí que percebi a dificuldade que é entrar numa universidade, ainda mais vindo de escola pública (POLÊMICA!).

Não tive aula de química no 1º ano. No 2º fiquei sem professor de matemática financeira. Quando cheguei no cursinho, desconhecia muita coisa. Tudo era diferente. Então, o garoto das medalhas se via como o garoto das dúvidas, dos questionamentos.
Não deixando me abalar pelas situações que vivia e, para não sair de Marabá, joguei a nota do Enem para o curso de Serviço Social, na Uniasselvi/Metropolitana e olha só... Em junho estou me formando, isso com 20 anos.

Ele queria Medicina, depois pensou em Direito e agora está concluindo Serviço Social. Já passou pra História, Engenharia Florestal, Farmácia, Biomedicina, Biologia. Ele é louco? Olha, colocando isso aqui eu até acredito ser um pouco perturbado. Mas isso não importa. Ninguém é obrigado a saber o que deseja ser quando se tornar adulto. A gente pode ir envelhecendo e conhecendo melhor as coisas, nossa verdadeira identidade.

Depois desse “Daily Blog” que é necessário? Não sei bem dizer... Mas o que quero dizer é que nem sempre as pessoas estão certas do que querem. Podemos tentar algo, às vezes até cair. O importante é seguir tentando e encontrar algo que traga felicidade e prazer.

“Avemaria, que clichezão”. Vai ser clichê sim.
 Precisamos de mais clichês em nossas vidas. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

CRESCER


De todos os meus maiores desejos de infância, crescer e tornar-me adulto estava no topo de uma pirâmide um tanto curiosa. Quando criança, enquanto muitas brincavam, eu estava ligado em outras coisas. Queria saber como funcionava aquilo, o porquê de tal coisa existir...

Carinhosamente, ou não, fui apelidado por uma agente de saúde que sempre visitava a minha casa, de Perguntador. Bom dia, Perguntador! Descobriu coisas novas? – Questionava ela.

Na realidade, é como se eu não me sentisse criança. Os poucos momentos de lazer eram com minhas primas, quando brincávamos no quintal da casa da minha vó, que nos ensinou a chamá-la de mãezinha. Era brincadeira de escritório, mercadinho, manchete, sete pecados, “bets”. Mas, de uma forma ou de outra, apesar de estar envolvido nas brincadeiras, eu queria saber qual era a pauta da conversa dos adultos. Eu sempre pensava: que maravilha, a vida dos adultos é bem agitada, mais madura, é bem melhor – ledo engano.

Acredito que esse desejo de crescer está inteiramente ligado a independência. A poder sair sozinho, responder por si próprio. Mas, agora que já tenho 20 anos e posso me considerar um adulto, fica aqui um questionamento: CRESCER É BOM? Provavelmente você vai responder que não, e eu concordo com você.

Tudo que é novo assusta. Ou assusta ou é convidativo (Que contraditório Weiller). Convidativo como? Na infância, que é a fase das descobertas, tudo é mais difícil, e apesar disso, torna-se atrativo. Mesmo que se faça algo com medo ou assustado. Por exemplo, como foi pra você ingressar na 5ª série, onde novas disciplinas foram inseridas na sua grade escolar? Deve ter sido difícil, pra mim foi. E a puberdade? Corpo em mudança. Como lidar? Sensações novas, fase de adaptação. Dias estranhos... A apreensão do primeiro beijo, o medo de errar, passar vergonha... E o ensino médio? Jesus, que barra! 1º ano, química, biologia, física. Hoje pode ser até que isso não signifique nada. Mas você consegue se recordar dessas situações e de como pôde vivê-las naquela época? (Esse texto está ficando cheio de interrogações, meu Deus). Agora terminando a minha graduação, eu começo uma nova fase. E depois? Vem a família, filhos... Tem que ter o psicológico bem preparado pra isso, não é mesmo? (Eu ri disso).


Semanas atrás, numa conversa com minha tia, acabei afirmando que eu era adolescente, mas ela me corrigiu. Weiller, você já um adulto – disse ela. Sim, foi um golpe no meu peito. Deparei-me com o fato de que aquele garoto que queria tanto crescer não aceitava já ter crescido. Crescer não é fácil. Responsabilidades, trabalho, busca por estabilidade, profissão... Amores. Vida! Saudade dos 12, 13, 14 anos... Você começa a compreender o mundo com outros olhos. As pessoas não são tão boas como pareciam ser. Tudo está totalmente diferente. Sua personalidade vai se formando e o diferente causa estranheza em você. As coisas que seus pais falavam pra você quando criança vai fazendo sentido. E as coisas que eles não disseram pra te proteger? Você descobre. É um choque. E que choque, ein?!

Não sei se alguém nessa faixa etária acompanha os meus textos, essa de 12, 13 anos. Mas, até mesmo para quem é da minha idade ou mais velho que eu, fica aqui o conselho: viva intensamente cada momento da sua vida. Todos nós precisamos saber que o tempo não volta. Não tem como reviver aquele dia que você não aproveitou.

Na infância, brinque, divirta-se. Seja criança! Hoje em dia estamos vivendo a era digital. Os brinquedos, carrinhos e bonecas foram trocados por tablets, smartphones. Adolescentes cada dia mais maduros, mais adultos... Não aproveitando a fase em que vive. E ser adulto? Não tem como evitar. Essas etapas existem. O importante é não ficar louco e acreditar que isso é normal. Ou pelo menos deveria ser.  


O fato é: o tempo não volta. Jamais voltará. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

T.O.C

Transtorno Obsessivo Compulsivo. Talvez você não saiba, mas pode ser mais uma dos quatro milhões de brasileiros que sofrem com isso.

Antes de qualquer coisa, vou fazer algumas perguntas. Caso a sua resposta seja SIM para algumas delas:

- TCHARAM, VOCÊ TEM T.O.C!!!

1 – Antes de dormir, quando todos já estão acomodados, você levanta mais de uma vez para conferir se a porta está fechada?

2 – Você lava as mãos toda hora por medo de se contaminar com alguma bactéria?

3 – Você sofre uma breve agonia quando usa roupas vermelhas ou pretas?

4 – Deixa de passar em certos lugares por medo de acontecer algo ruim depois?

5 – Separa suas roupas no guarda-roupa por cores, modelos e peças?

6 – Seus objetos não podem sair do lugar?

7 – Ao deixar o carro estacionado no jornal você volta no estacionamento de madrugada 500 vezes pra conferir se está fechado? (JURO QUE NÃO ESTOU FALANDO DE MIM).

8 – O número 13 te deixa desconfortável quando usado?

9 – Já se sentiu incomodado com imagens que surgiram na sua mente repentinamente? (Bactérias, radiação, sujeira...).

10 – Tem preocupação exagerada com detalhes e coisas menores?

O TOC é basicamente um transtorno mental que apresenta a compulsão, a obsessão, ou até os dois juntos. O que causa o ato de evitar coisas. As tais obsessões são involuntárias e funcionam como uma espécie de defesa. Isso acaba tornando a agonia e o medo presentes no corpo do indivíduo em questão. Existe um leque cheio de formas em que o T.O.C pode se apresentar e de como ele se manifesta em cada pessoa. A minha mãe, por exemplo, é fissurada por limpeza. NÃO PARA UM SEGUNDO, e o T.O.C dela afeta o meu T.O.C de pessoas que não se aquietam.  

Antes eu achava que isso era algo normal, uma besteira minha. Mas, pesquisando e lendo algumas coisas eu percebi que isso é um mal e que atinge muita gente Brasil afora.

Na minha casa eu sou o último a dormir e volto várias vezes na porta pra saber se fechei tudo direitinho. Exagerado? TALVEZ! Mas acredite se quiser, sou light, tem gente que confere se o fogão está com todas as bocas fechadas por medo de vazamento de gás. O que é mais interessante é que esses medos rodeiam não só a pessoa em questão. É uma preocupação que essa pessoa tem em relação às outras que convivem com ela.

Por exemplo: quando completei 18 anos e já podia tirar a CNH, acabei relaxando... Na minha cabeça eu seria incapaz de dirigir, pilotar... Eu precisava vencer o medo de matar alguém no trânsito. Matar alguém. Sim, isso mesmo.

Minha irmã, que é mais nova que eu, andava pra cima e pra baixo enquanto eu dependia de carona alheia. Essa dependência, que não era nada legal, me incentivou a criar vergonha na cara e vencer os medos daquela época. (Saudades dos medos daquela época). Com isso, quero que você entenda que o T.O.C envolve não só quem sofre, mas também aqueles que estão a sua volta.


Com certeza você já assistiu em algum filme, série ou novela personagens com T.O.C de limpeza, que não pegam na mão de ninguém e sempre andam com álcool gel por medo de se contaminar com alguma bactéria.

Mas Weiller, qual o problema em usar roupas vermelhas ou pretas? O que eu vou falar aqui é bem estranho, chega a ser macabro. Vermelho é uma cor que lembra o quê? SANGUE! Sim, anrram, isso mesmo... Sim... Isso mesmo! Pegou essa referência, Capitão América? Parei. Pois é, tem gente que não gosta de nada que lembre sangue. Roupas pretas lembram velórios, morte e coisas do tipo. Isso também é certo tipo de T.O.C.

E deixar de passar em algum lugar por medo de acontecer algo ruim? EU JURO QUE NUNCA FIZ ISSO. Só sempre. (Temo que depois desse texto as pessoas pensem que sou um louco desequilibrado).

Enfim... Descobriu que tem T.O.C? Toca aqui! Mas traz o álcool gel! Para sua agonia, algumas imagens bem legais. B-E-M L-E-G-A-I-S!!! 


Comidas cortadas de forma erra pode? NÃO!


Sou um vencedor postando essas imagens!


Gente, gente... Como assim?


Famigerado piso desalinhado.


Você, que ainda está na escola e sente agonia por isso: bem vindo!

quinta-feira, 31 de março de 2016

Senhor Estúpido

Hoje em dia a comunicação se tornou algo banal. A grande quantidade de atividades exercidas por uma pessoa só é o motivo da falta de tempo e o acúmulo de estresse das pessoas. Infelizmente, o que se pode observar com frequência é que isso se torna um problema não só para o protagonista dessa situação, mas também para aqueles que estão a sua volta.

Meu Deus, Weiller, você está contextualizando algo tão simples, complicando uma coisa desnecessária... Pode ser que sim, mas observe os diálogos abaixo e então veremos se você continuará com a mesma opinião que tinha antes de ler esse texto.

“Querido diário, escrevo a ti as minhas palavras mais sinceras e deixo aqui as experiências vividas”.

O texto a seguir contém trechos fortes de desabafo. Cuidado!

Mais certo do que afirmar que 1+1 = 2, é dizer que descontar a raiva em alguém que não merece acontece inúmeras vezes durante o dia. Recentemente pude ser contemplado com duas situações um tanto constrangedoras (NO MESMO DIA).

Vamos organizar as ideias para uma melhor compreensão. Teremos duas situações, a X e a Y. Confira a seguir:

Situação X - Um senhor, que vamos chamar de Senhor X, veio a mim com a intenção de informar sobre um material, onde trabalho. Beleza...! Eu não o conhecia, não sabia o que era e quando procurei informações fui tratado mal pelo simples erro do Senhor X, que deveria procurar outra pessoa e não eu. (Alguém dá um soco nesse cara? Brincadeira. Ou não).

Situação Y – Agora teremos mais uma situação envolvendo um senhor, este chamaremos de Senhor Estúpido.  O personagem principal deste parágrafo, Sr. Estúpido, me pediu um favor. Eu, como nunca sei dizer não, respondi: claro, farei seu favor. Infelizmente o plano combinado, que eu chamei de Plano A, não deu certo... Optei pelo Plano B que não alteraria muita coisa no resultado final. Só que o Senhor Estúpido tinha um desejo enorme no seu coraçãozinho de mel de fazer jus ao seu nome. Armou a maior cena no meio de um pequeno número de pessoas que, diante disso, ficaram boquiabertas com tamanha deselegância. (Foi ridículo, sério!).

Neste momento você deve estar surpreso também, eu sei... Quem não ficaria?

É comum com a correria do dia a dia as pessoas ficarem estressadas e sobrecarregados com seus afazeres. Às vezes passamos por situações delicadas e, muitas delas, nem mesmo os amigos mais próximos sabem. Não é fácil controlar os ânimos quando alguma coisa não sai da maneira que gostaríamos. Mas, convenhamos, ninguém merece ouvir coisas que deveriam ser ditas pra outra pessoa, certo?

Meu conselho é: guarde sua raiva pra você. Ninguém merece gente chata buzinando no ouvido. E sim, é um desabafo. Uma espécie de texto de raiva momentânea.